Conteúdo organizado por Angela Maria Moed Lopes em 2022 do livro Auditoria em saúde, publicado em 2014 por Haino Burmester e Marlus Volney de Morais, editora Saraiva.
A auditoria em saúde
Atualmente, as empresas bem-sucedidas são aquelas que lançam mão de todas as fontes de conhecimento para a tomada de decisão. Um bom gestor é aquele que possui conhecimento, tanto na área em que atua, quanto em outros aspectos relacionados à empresa, como economia, finanças e a política global das mesmas. Somente a partir deste conhecimento amplo, o gestor será capaz de identificar cenários e oportunidades para obter o sucesso empresarial. Nas organizações de saúde, um sistema de auditoria bem estruturado é aquele que, além de propiciar a padronização, controle e normatização da assistência em saúde, também fornece, aos gestores, informações que auxiliam na avaliação do momento atual e de tendências futuras das empresas. Neste tema, aprofundaremos o conhecimento a respeito dos conceitos e das características da auditoria em saúde.
Inicialmente, a auditoria em saúde caracterizava-se como um ramo exclusivo da área médica. Atualmente, porém, é exercida por outros profissionais da área da saúde, sendo caracterizada como uma das mais poderosas ferramentas de gestão das organizações de saúde. A atuação dos auditores em saúde, inicialmente, tinha como foco a profilaxia das notas, no intuito de se evitar as glosas, objetivo até então distante da qualidade da assistência à saúde. Nas organizações, a atuação dos auditores frequentemente estabelecia e, em algumas organizações ainda estabelece, conflitos e divergências entre os diferentes atores envolvidos no processo de assistência à saúde. Este fato destaca o importante papel, tanto das classes profissionais quanto das fontes pagadoras, no aprimoramento das funções e da atuação dos auditores de saúde, que devem focar suas ações na qualidade da assistência, na preservação dos relacionamentos e na racionalização dos custos (Morais & Burmester, 2014).
O processo de auditoria, a princípio, era restrito à análise de contas, tendo, na glosa parcial de procedimentos, seu principal foco de atuação. Devido a sua característica inicial de policiamento, a atividade de auditoria era mal interpretada pela classe médica e pela maioria das instituições de saúde. Entretanto, sua importância excede a função de análise de contas inicialmente estabelecida. A execução da atividade de auditoria possibilitou o entendimento e correção, ou não, das técnicas adotadas para a execução de um procedimento, resultando na produção de um grande volume de dados e de propostas de melhoria da assistência à saúde como um todo (Morais & Burmester, 2014).
O processo de tomada de decisão dos gestores deve ser baseado em informações de boa qualidade, obtidas por meio de um bom sistema de coleta de dados, o que, por sua vez, exige a atuação de uma equipe técnica capacitada para tal. Na área da saúde, diversos profissionais estão envolvidos no processo de coleta de dados, tais como médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentre outros. Evidentemente, com esta gama de profissionais, é imprescindível que o sistema de informações seja adequadamente discutido e entendido pela equipe, de modo que os dados sejam tabulados corretamente. Assim, o auditor em saúde será capaz de selecionar as informações necessárias para garantir a utilização adequada dos recursos financeiros, sem comprometer a qualidade da assistência à saúde prestada aos pacientes (Morais & Burmester, 2014).
De acordo com Morais e Burmester (2014), é desejável que os auditores em saúde possuam valores morais e éticos, independência, imparcialidade, objetividade, discrição, cautela, zelo profissional e capacidade técnica abrangente e atualizada constantemente. Além disso, os autores também destacam as competências desejadas em um auditor em saúde:
O auditor, como qualquer outro profissional, possui direitos e deveres. Desta forma, é imprescindível que o mesmo, ao exercer suas atividades, esteja ciente e pratique as determinações que seus conselhos especifiquem. A especialidade em auditoria é reconhecida e regulamentada em diversas profissões da área da saúde. Desta forma, é dever do profissional atuar, questionar e responder às designações atribuídas por seus conselhos. O profissional auditor deve estar registrado e regulamentado em seu respectivo conselho de classe e na jurisdição em que ocorre o serviço de auditoria. Assim como em outras especialidades, o auditor utiliza manuais, protocolos, cartilhas, aliados ao conhecimento técnico-científico, no exercício de suas atividades. Independentemente do tipo de auditoria a ser realizada, a qualidade da assistência à saúde do usuário é o principal fator a ser considerado. Por meio da auditoria é possível verificar se os serviços prestados são efetivamente qualificados, ou demonstram fragilidades e a necessidade de melhorias (Morais & Burmester, 2014).
Segundo Guimarães e Andrade (2019) o processo de auditoria pode ser realizado de duas formas, interna e externa. A auditoria interna é realizada por um colaborador pertencente à própria instituição e relaciona-se à compreensão da estrutura da administração, da cultura da organização, das tecnologias e dos objetivos do serviço em avaliação. A auditoria externa, por sua vez, é realizada por um profissional que não possui vínculo com a instituição em análise e permite a obtenção de relatórios mais críticos e com mais detalhes sobre os resultados obtidos. O quadro 1 exemplifica a classificação da auditoria quanto ao tempo, natureza, limite, tipo e forma de intervenção.
Quadro 1: Classificação da auditoria quanto ao tempo, natureza, limite, tipo e forma de intervenção.
Fonte: elaborado pela autora com base em Araújo, Simões e Silva (1978) e Morais e Burmester (2014).
Diante do exposto é possível perceber que a importância da auditoria nas organizações de saúde extrapola o objetivo de gerenciar contas ou avaliar o desempenho, mas serve como um instrumento para gestão dos serviços de saúde.
A correta utilização dos termos e a redação clara e técnica durante a elaboração de um parecer demonstram profissionalismo e segurança. Neste tópico, apresentaremos alguns conceitos e termos comumente utilizados na auditoria.
O Ministério da Saúde, juntamente com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), publicou, no ano de 2009, o “Glossário temático: saúde suplementar”. Nesta obra, você terá acesso aos principais termos técnicos, e seus respectivos conceitos, utilizados pela ANS em sua relação com usuários, prestadores de serviço e operadoras de planos privados de assistência à saúde. Acesse o conteúdo da obra na íntegra por meio do link:
Link: <https://bit.ly/3whPk5z>. Acessado em 12 de janeiro de 2023.
Conceitos Fundamentais:
Astucioso: adjetivo utilizado para caracterizar o indivíduo que usa astúcia, artimanhas ou truques.
Materiais Complementares:
Neste tema você compreendeu que a auditoria em saúde é caracterizada como uma importante ferramenta de gestão de saúde, visto que suas atividades fornecerão as informações necessárias para o processo de tomada de decisão. Além disso, compreendeu que diferentes profissionais da saúde podem exercer a atividade de auditoria em saúde, desde que estejam de acordo com as especificidades de cada conselho de classe e legislação vigente. Destacamos, também, algumas classificações e termos utilizados no processo de auditoria que devem ser compreendidos no intuito de elaborar um parecer com profissionalismo e segurança. No próximo tema conheceremos os diferentes tipos de auditoria, dando ênfase à auditoria operacional. Até breve!
Referências
Bibliográficas
Araujo, M.V., Simões, I.C., & Silva, C.L. (1978).Auditoria em Enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem [online], v. 31, n. 4, p. 466-477. Disponível em: <https://bit.ly/3Y6qilR>.
Guimarães, M. E. S., & Andrade, I. M. (2019). Auditoria em saúde no Brasil: revisão sistemática da literatura. Rev. Integr. Inov. Tecnolg. Ciênc. Saúde, 3, 69-81.
Morais, M. V., & Burmester, H. A. I. N. O. (2014). Auditoria em saúde. São Paulo: Saraiva.